sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sabiam meus camaradas que ja houve uma provincia anarquista no Brasil?
pois e, isso foi na epoca de Dom Pedro II e nao nos e divulgado ate hoje. Abaixo esta a foto e a historia dessa singela provincia.
Em finais do século XIX Milão despontava, no panorama artístico europeu, pela grandiosidade de seu teatro, por sua vivência cultural e pelo requintado gosto de seu povo. Neste contexto, Giovani Rossi expunha idéias arrojadas a ouvintes atentos. Em conferências e artigos semanais no jornal Lo Sperimentale, de Bréscia, notabilizava-se por seu humanismo e alta compreensão dos problemas sociais dos artesãos, professores e lavradores da região onde vivia. Filósofo anarquista, pronunciava palestras a ouvidos atentos.
D. Pedro II, graças à sua doença, é aconselhado pelos médicos a se tratar na Europa, e depois de várias escalas chega a Milão, em 29 de abril de 1888. Por intermédio do conde de Mota Maia, o Imperador tem conhecimento da obra Il Commune in Riva al Mare, de Rossi, e mostra-se interessado pelo conteúdo humano de seus escritos - que descreviam uma hipotética experiência anarquista em país americano, onde individualismo livre só cederia ao coletivismo se estivesse totalmente impregnado de egoísmo, onde o ideal de liberdade suporia amor livre, inexistência da propriedade privada, ausência de qualquer dogmatismo. Já em agosto, após o regresso ao Brasil, D. Pedro II escreve ao jovem professor, oferecendo-lhe oportunidade de efetivar, na região Sul brasileira, na Província do Paraná, a objetivação de seu ideal. 
Servindo-se do semanário Lo Sperimentale, de Bréscia, Rossi incitou intelectuais, obreiros e lavradores, à viagem experimental. Não descansava, propagando o anarquismo. Freqüentando sedes de corporações operárias, aconselhando lavradores pressionados pelos desajustes econômicos da Itália, animando os temerosos, foi engrossando o número de interessados. Pequenos artesãos e intelectuais aderiram facilmente à idéia, alguns e outros desiludidos com as lutas cansativas pela unidade política italiana. Foram sensíveis, desta forma, aos acenos de uma terra nova, com múltiplas possibilidades de uma vida nova. Trezentos alqueires de terras - mais do que poderiam obter em qualquer região da Itália - pareciam mais do que suficientes para que aquelas famílias pudessem buscar a aplicação prática de seus ideais.
Em 20 de fevereiro de 1890 zarparam em Gênova cerca de 150 anarquistas italianos. Chegando ao planalto dos campos gerais, instalaram-se no que seria o núcleo Cecília em abril de 1890.
O obstáculo com que se defrontou, inicialmente, o núcleo anarquista foi o da organização para o trabalho. Os componentes da imigração vinham precedidos de vocações profissionais, afirmadas em tradições seculares. Giovanni Rossi pressentia naquele instante que até mesmo lavradores sentiriam dificuldades, acostumados a outro tipo de solo. O caso dos artesãos se tornava ainda mais complicado, sendo que a solução encontrada foi justamente dar-lhes tarefas aproximadamente similares às suas profissões. Concluídas as habitações individuais e coletivas, dividido racionalmente o trabalho, entre o contingente de mais de 150 pessoas, os anarquistas se depararam com um fato real: o milho, produto ideal para o cultivo naquelas circunstâncias, não nasce da noite para o dia. No começo, tiveram condições de subsistirem e laborarem a terra graças ao dinheiro que trouxeram, aos instrumentos de trabalho que adquiriram e à compra de sementes e mantimentos. No entanto, viram-se obrigados, mais tarde, a procurar tarefas que lhes proporcionassem o sustento até que pudessem viver tão somente das atividades do núcleo. Os anarquistas concentrados, uns na lavoura, outros em empreitadas contratadas junto ao governo para a construção da estrada de rodagem Serrinha-Santa Bárbara, recebiam salários semanais que auxiliavam os companheiros da Colônia. No suor de cada dia, os anarquistas plantaram mais de oitenta alqueires de chão, na área em que lhe foi cedida, mais dez quilômetros de estrada construíram, em época onde inexistiam possantes máq uinas, nem tratores, muito menos guindastes de transporte de terras para ajudar. Um barracão coletivo, vinte barracões individuais, celeiros, casa da escola, moinho de fubá, tanque de peixes, pavilhão coletivo, que também servia de consultório médico, viveiro de mudas, poços, valos, pomar de pêr as, estábulos, grande lavoura de milho, tudo denunciava dinamismo. Proporcionalmente ao suor do trabalho cresceu o respeito recíproco e puderam as famílias, na colônia e fora dela, assentar profundas raízes de solidariedade humana.
De princípio, em 1890, a estratificação social não chegou a ser perceptível no interior da Colônia, porque tudo precisava ser feito e todos queriam fazer, dentro das possibilidades pessoais e grupais. Chefias e subordinações eram substituídos por estímulos constantes e recíprocos que entre si faziam seus membros. No entanto, os colonos não puderam manter-se afastados das condições existenciais das comunidades, próximas e distantes. Com elas interaram-se os anarquistas, através de ligações comerciais e espirituais. A imprescindível compra de trigo, fubá, feijão, carne, implicou em revisões de conceitos teorizantes de anarquismos, e a estratificação social se fez. Diferente, sem dúvida, daquela maior, avassaladora, fundamento das comunidades rurais brasileiras, a estratificação que se observava nos campos gerais, feita de rígida hierarquia social, a qual se sentia e ainda se sente - prepoderância de elos de dependência da grande massa de trabalhadores a limitado número de proprietários rurais. Quando a assembléia precisou delegar responsabilidades a alguém para gerir todo o dinheiro do núcleo, criou um estrato que seria, mais tarde, responsável em grande parte pelo fracasso da experiência. Contudo, é importante destacar que tal estratificação complementou-se com convenção objetiva, determinada pela aceitação e consenso geral.
Entregues à agricultura, à edificação de casas, às tarefas educacionais, os anarquistas não dispunham de maior oportunidade de relacionamento com o meio externo. O núcleo consumia-lhes toda a atenção, e mostravam euforia nas ocupações. Giovani Rossi inicialmente supunha que a área de trezentos alqueires reservada à Colônia possuísse uma superfície bem delimitada, vizinhos conhecedores de seus direitos e respeitadores das confrontações estabelecidas. Sem a posse dos documentos que comprovassem a propriedade foi, no entanto, surpreendido por um terreno inculto, não medido, de vizinhos inconscientes do que lhes pertencia e, ainda, com o regime imperial extinto em nome da República. Diante de tal conjuntura, desinteressou-se de fazer gestões para medir, transferir domínio ou qualquer relação jurídica com a propriedade. Nela simplesmente viveria com seus companheiros; trabalhariam os campos, fariam riquezas comuns, levantariam edificações comuneiras, oficinas, escolas, uma colméia de trabalho e de satisfações espirituais. Não contava desta forma com uma pol ítica de concessão de terras, com os favores oficiais e com um processo pol ítico interno que buscaria reorientar a administração. 
Nesse caso observa-se que uma mudança no regime politico de um pais  nao pode começar aos poucos em areas isoladas pois o fantasma da ganancia e do capitalismo acaba por corromper o espirito do anarquismo mutuo.


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