Marx foi o segundo de nove filhos2 , de uma família de origem judaica de classe média da cidade de Tréveris, na época no Reino da Prússia. Sua mãe, Henriette Pressburg (1788–1863), era judia holandesa e seu pai, Herschel Marx (1777–1838), um advogado e conselheiro de Justiça. Herschel descende de uma família de rabinos, mas se converteu ao cristianismo luterano em função das restrições impostas à presença de membros de etnia judaica no serviço público, quando Marx ainda tinha seis anos.3
Seus irmãos eram Sophie (1816-1886), Hermann (1819-1842), Henriette
(1820-1845), Louise (1821-1893), Emilie (1824-1888 - adotada por seus
pais), Caroline (1824-1847) e Eduard (1826-1837).
Em 1830, Marx iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em Tréveris, ano em que eclodiram revoluções em diversos países europeus. Ingressou mais tarde na Universidade de Bonn para estudar Direito, transferindo-se no ano seguinte para a Universidade de Berlim, onde o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, cuja obra exerceu grande influência sobre Marx, foi professor e reitor.3 Em Berlim, Marx ingressou no Clube dos Doutores, que era liderado por Bruno Bauer. Ali perdeu interesse pelo Direito e se voltou para a Filosofia, tendo participado ativamente do movimento dos Jovens Hegelianos. Seu pai faleceu neste mesmo ano.3 Em 1841, obteve o título de doutor em Filosofia com uma tese sobre as "Diferenças da filosofia da natureza em Demócrito e Epicuro".3 Impedido de seguir uma carreira acadêmica,4 tornou-se, em 1842, redator-chefe da Gazeta Renana (Rheinische Zeitung), um jornal da província de Colônia;5 conheceu Friedrich Engels neste mesmo ano, durante visita deste a redação do jornal.3
Pensamento
Durante a vida de Marx, suas ideias receberam pouca atenção de outros
estudiosos. Talvez o maior interesse tenha se verificado na Rússia, onde, em 1872, foi publicada a primeira tradução do Tomo I d'O Capital. Na Alemanha, a teoria de Marx foi ignorada durante bastante tempo, até que em 1879 um alemão estudioso da Economia Política, Adolph Wagner, comentou o trabalho de Marx ao longo de uma obra intitulada Allgemeine oder theoretische Volkswirthschaftslehre. A partir de então, os escritos de Marx começaram a atrair cada vez mais atenção.15
Nos primeiros anos após a morte de Marx, sua teoria obteve crescente
influência intelectual e política sobre os movimentos operários (ao
final do século XIX, o principal locus de debate da teoria era o Partido Social-Democrata alemão) e, em menor proporção, sobre os círculos acadêmicos ligados às ciências humanas – notadamente na Universidade de Viena e na Universidade de Roma, primeiras instituições acadêmicas a oferecerem cursos voltados para o estudo de Marx.15
Marx foi herdeiro da filosofia alemã, considerado ao lado de Kant e Hegel
um de seus grandes representantes. Foi um dos maiores (para muitos, o
maior) pensadores de todos os tempos, tendo uma produção teórica com a
extensão e densidade de um Aristóteles, de quem era um admirador. Marx criticou ferozmente o sistema filosófico idealista de Hegel. Enquanto que, para Hegel, da realidade se faz filosofia, para Marx a filosofia precisa incidir sobre a realidade. Para transformar o mundo é necessário vincular o pensamento à prática revolucionária, união conceitualizada como práxis: união entre teoria e prática.
A teoria marxista é, substancialmente, uma crítica radical das sociedades capitalistas.
Mas é uma crítica que não se limita a teoria em si. Marx, aliás, se
posiciona contra qualquer separação drástica entre teoria e prática,
entre pensamento e realidade, porque essas dimensões são abstrações
mentais (categorias analíticas) que, no plano concreto, real, integram
uma mesma totalidade complexa.16
O marxismo constitui-se como a concepção materialista da História, longe de qualquer tipo de determinismo,
mas compreendendo a predominância da materialidade sobre a ideia, sendo
esta possível somente com o desenvolvimento daquela, e a compreensão
das coisas em seu movimento, em sua inter-determinação, que é a dialética. Portanto, não é possível entender os conceitos marxianos como forças produtivas, capital,
entre outros, sem levar em conta o processo histórico, pois não são
conceitos abstratos e sim uma abstração do real, tendo como pressuposto
que o real é movimento.17
Karl Marx compreende o trabalho
como atividade fundante da humanidade. E o trabalho, sendo a
centralidade da atividade humana, se desenvolve socialmente, sendo o
homem um ser social. Sendo os homens seres sociais, a História, isto é,
suas relações de produção e suas relações sociais
fundam todo processo de formação da humanidade. Esta compreensão e
concepção do homem é radicalmente revolucionária em todos os sentidos,
pois é a partir dela que Marx irá identificar a alienação do trabalho
como a alienação fundante das demais. E com esta base filosófica é que
Marx compreende todas as demais ciências, tendo sua compreensão do real
influenciado cada dia mais a ciência por sua consistência.18

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